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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A estúpida Miopia Empresarial

Recebi um texto de autoria do Luciano Pires onde ele conta uma historinha famosa no meio publicitário: a do criativo que bolou uma propaganda muito boa, que tinha como peça principal aquela cena dramática em que King Kong está sobre o Empire State Building em Nova Iorque, sendo atacado por meia dúzia de aviões. Ao apresentar a propaganda para o cliente ele ouve o seguinte:

- Excelente! Ótimo! Mas vou pedir uma mudança. Tire o macaco.

Você já passou por isso? Ver o detalhe fundamental ser esquecido, não compreendido ou simplesmente ignorado por um míope profissional?

Recentemente acompanhei uma situação semelhante no mercado: As comemorações de final de ano foram canceladas!

Teve uma empresa que conheço que inicialmente marcou uma festa grande, em um salão de eventos no estádio de um grande time de futebol de Porto Alegre, duas semanas depois mandou um aviso para seus colaboradores avisando que a festa foi cancelada e que seria transferida para um lugar menor (sinceramente não sei se rolou a festa no final). Outra empresa grande aqui da região levou seus funcionários para um bar onde cada um pagava o que consumia.

Acho isso burrice.

As empresas tiveram um ano ótimo e o que deveria ser uma celebração pelos bons resultados vira tristeza. E a equipe que foi motivada a “dar o melhor de si”, ”superar as expectativas” termina o ano em um clima de terror, com gosto de derrota na boca. Mesmo que as metas tenham sido atingidas ou até ultrapassadas.

Acho que essa comemoração era extremamente importante para estas empresas, pois seria o reconhecimento pelo esforço de todo um ano e a oportunidade perfeita para motivar os funcionários a se prepararem para o ano difícil que teremos.

Em nome da “crise que vem aí” fica proibido celebrar as vitórias.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Vida de RH


1º dia: Bem-vindo ao RH! Que dia feliz! Você sempre quis trabalhar com pessoas e esta é sua grande chance. Surge a primeira solicitação: seu cliente precisa de um profissional com MBA, Inglês e Mandarim fluentes, 15 anos de experiência no segmento e, na área, salário R$ 1.000,00. Que desafio!

2º dia: Você continua procurando aquele colaborador, afinal, é o seu grande desafio! Enquanto isso, você começa a desenvolver seu primeiro treinamento comportamental. Realiza várias pesquisas, busca os mais modernos recursos. Estuda o calendário para agendar uma data em que todos possam participar.

3º dia: Seu cliente liga dizendo que não precisa mais fazer aquele processo seletivo, porque ele já encontrou o colaborador. Fala também que é uma ótima indicação, no entanto, quando você vai conhecer a simpática pessoa, descobre que a mesma ainda está cursando faculdade, balbucia um Inglês primário, está iniciando as atividades na área e foi contratada por R$ 1.500,00. Ok! Ok! Você entende que o profissional deve ter suas qualidades. Essas coisas acontecem etc.

4º dia: Seu treinamento está pronto! Vamos convocar os candidatos? Mas, lembre-se: tem que ser na data que não atrapalhe o fluxo das áreas de ninguém. E lá vão os convites! Você está orgulhoso de sua obra e não vê a hora dela acontecer.

5º dia: Sabe aquele candidato indicado? Na hora de registrá-lo, você se dá conta de que o salário que lhe foi oferecido está fora da tabela salarial da empresa. Aliás, este cargo não existe, mas o cliente tem fortes argumentos de que a pessoa é uma estrela no meio empresarial e que não vale a pena nutrir a "burocracia de mantê-lo na estrutura de cargos" e perder tanto talento!

6º dia: O telefone toca:
- Olha, infelizmente o senhor Fulano não poderá comparecer no treinamento para o qual foi convocado. Claro que acho o treinamento importante, mas não é esta a questão, o Sr. Fulano está muito envolvido em um projeto e não pode se ausentar.Enquanto você argumenta ao telefone, olha para a tela do seu micro e vê um e-mail chegar: "Informo que a senhora Cicrana não poderá comparecer ao curso, porque está muito atarefada e não posso liberá-la para o treinamento. Conto com sua compreensão" etc.

7º dia: Campanha motivacional! Oba! Que delícia fazer uma campanha motivacional. Prêmios, cartazes, analisar os indicadores, comunicar, incentivar a participação e realizar coisas afins. É ótimo fazer uma campanha motivacional e observar a alegria que contagia toda a empresa.

8° dia: Você vai tomar um café e se depara com uma pessoa estranha.
- Olá, muito prazer! Te conheço? (...) Então, eu comecei aqui ontem, cheguei para trabalhar com o Sr. Beltrano de Tal, muito prazer! Curioso! Como alguém entrou na empresa e não passou pelo RH? Como será que este profissional foi integrado?

9º dia: Oba! Chegou o dia do treinamento! Você, ansioso, entra em sala. Tanta preparação, tanto trabalho, afinal, mesmo com as desistências, você ainda tem quorum suficiente para manter o curso no ar.
- Chegou o primeiro, o segundo, que legal, o terceiro! E só! Cadê o resto?, você pergunta impressionado.
- O senhor não soube? Aconteceu um pico de produção e muitos não poderão vir - respondeu o auxiliar.
- Todos os demais?, questiona.
- Deixa eu ver a lista dos convocados. Esse sim, esse sim, esse não, esse está de férias. Ninguém avisou o senhor?, completa o ajudante.

10º dia: Seu Diretor o chama:
- Sr. RH, gostamos muito da sua campanha motivacional, mas, teremos que reduzir os custos da empresa. Veja, a produção aumentou sim, mas foi porque o gestor mudou seu comportamento, porque o sol nasceu quadrado, mas certamente não por causa da campanha motivacional, que foi `bonitinha´, `simpática´, mas o senhor há de convir comigo que estas campanhas não costumam trazer resultados práticos, não é mesmo?"

11º dia: Redução de custos? Vamos começar pelo RH. Fim. Sua trajetória acabou. Você recolhe suas coisas, sua CLT, seu dicionário. Realmente, o RH burocratiza a empresa, sem os treinamentos, a produtividade do pessoal seria maior, sem os parâmetros de contratação e de cargos e salários, o pessoal teria mais flexibilidade para aproveitar talentos. Fim da linha.

No caminho para a rua, de posse de seus pertences, com o firme propósito de mudar de carreira, caminha o Sr. RH, até que uma pessoa o intercepta:
- Sr. RH, não sei onde o senhor vai, mas eu gostaria de agradecê-lo, porque aprendo muito com seus treinamentos, trabalho mais feliz com estas campanhas que o senhor faz. Sinto que a empresa é justa quando vejo que meu salário é igual ao de outro que faz o mesmo que eu. Sinto-me ouvido e amparado em minhas atividades, e, por tudo isso, todos os dias, tenho a certeza de que posso oferecer mais à empresa.. Assim, minha carreira deslancha e sei que a cada dia sou um profissional melhor. Obrigado!

Texto de Flávia Garbo


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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Gerenciando para Cima

Autor: Jack DelaVega


"Miguel não cabia em si. Depois de meses de trabalho duro, finalmente veio a recompensa, uma merecida promoção. Iria gerenciar agora grande parte dos seus antigos colegas, responsabilidade que se sentia pronto para assumir. Sua liderança natural sobre a equipe facilitava as coisas e, verdade seja dita, tinha uma boa aceitação do pessoal...

Os primeiros dias na nova função foram de ajustes, afinal, era esperado dele uma mudança de postura. Chefe tem que agir como chefe. Deixou de lado o almoço com os colegas para almoçar com os demais gerentes. Passou a se vestir melhor, abandonando o jeans e a camisa pólo. Seu uniforme agora era calça cáqui e camisa social. Nem mesmo ao “Casual Friday” resolveu aderir, melhor não facilitar nessa hora. Ah, e deixou de usar o crachá no pescoço, gerente que se preza quando usa crachá, usa na cintura.

Mas, para o seu Diretor, continuou a mostrar a mesma postura profissional que o levara a promoção. A palavra do Diretor era lei, e não havia impossível para um sujeito como Miguel. Aos poucos Miguel começou a se comprometer além do limite, simplesmente para atender os desejos do seu chefe, e, quando a pressão apertava, ele simplesmente repassava a bola para o time. Foi então que Carlos o procurou para discutir os problemas com seu último projeto.

- Miguel, posso falar contigo um pouquinho?

- Oi Carlos, qual o problema?

- Cara é o seguinte. É simplesmente impossível a gente entregar o projeto na data que você nos passou. Existem muitas dependências com outros projetos e nem mesmo o fornecedor tem condições de atingir essa data.

Miguel endureceu a face.

- Carlos não tem jeito. O Diretor pediu, a gente tem que fazer. É para isso que a gente está aqui, para fazer acontecer. Dá um jeito rapaz, dá um jeito. Eu é que não vou voltar para o Diretor e dizer que não dá depois de ter me comprometido com uma data.

- Pois é Miguel, mas esse é o problema. Como é que você foi se comprometer com o homem sem falar com a gente antes, sem contra-argumentar?

Carlos estava tranqüilo, falando com o chefe como amigo, mas Miguel não parecia aceitar o feedback.

- Olha Carlos, acho que está na hora de você começar a pensar diferente, senão nunca vai chegar ao cargo de Gerente.

Que paulada! Mas Carlos encarou Miguel com serenidade e falou:

- Bom, se virar gerente significa trair os meus ideais e esquecer o que é certo, eu certamente não estou preparado. Aqui está o meu relatório com uma análise técnica detalhada, explicando porque não podemos entregar na data acordada. Se você não se sentir “confortável” de enviar para o Diretor, eu mesmo posso enviar. O Miguel que eu conhecia teria feito as coisas de maneira diferente.

E deixou a sala.

Miguel ficou parado por alguns minutos apenas olhando para o relatório em cima da mesa. O que iria dizer para o Diretor? Talvez o que o tenha levado até ali não fosse suficiente para levá-lo adiante. Com certeza para ser gerente era preciso mais do que simplesmente colocar o crachá na cintura."

Texto publicado originalmente em http://www.tribodomouse.com.br


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sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vida de RH

Em Nairóbi, Quênia, depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa contratou um grupo de canibais para fazerem parte de sua equipe...


- Agora vocês fazem parte de uma grande equipe" - disse o Diretor de RH, durante a cerimônia de boas vindas. " Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à lanchonete da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!

Quatro semanas mais tarde, o chefe os chamou:

- Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito. Mas a mulher que serve o cafezinho desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?

Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois que o chefe foi embora, o líder canibal pergunta a eles:

- Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o cafézinho?

Um deles, timidamente, ergue a mão. O líder responde:

- Mas tu és um asno, mesmo! Nós estamos aqui, com essa tremenda oportunidade nas mãos. Estamos comendo gerentes há quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não… Você tinha de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!



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